domingo, 18 de abril de 2010


Caracterização do Bullying

O bullying é frequentemente usado para descrever uma forma de assédio interpretado por alguém que está, de alguma forma, em condições de exercer o seu poder sobre alguém ou sobre um grupo mais fraco. Dan Olweus define o bullying em três termos essênciais:

1 - o comportamento é agressivo e negativo;
2 - o comportamento é executado repetidamente;
3 - o comportamento ocorre num relacionamento onde há um desequlíbrio de poder entre as partes envolvidas.

O bullying divide-se em duas categorias

1 - o bullying direto;
2 - o bullying indireto, também conhecido como agressão social.

O bullying é a forma mais comum entre os agressores (bullies) masculinos. A agressão social ou bullying indireto é a forma mais comum em bullies do sexo feminino e crianças pequenas, e é caracterizada por forçar a vítima ao isolamento social. Este isolamento é obtido através de uma vasta variedade de técnicas, que incluem:

- espalhar comentários;
- recusa em se socializar com a vítima;
- intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima;
- criticar o mode de vestir ou outros aspectos socialmente significativos (incluindo a etnia da vítima, religião, incapacidades etc.)

Tipos de Bullying

Os bullies usam principalmente uma combinação de intimidação e humilhação para atormentar os outros. Exemplos de técnicas de bullying:

  • Insultar a vítima: acusar sistematicamente a vítima de não servir para nada;
  • Ataques físicos repetidos contra uma pessoa, ou seja contra o corpo dela ou propriedade.
  • Interferir com a propriedade pessoal de uma pessoa, livros ou material escolar, roupas etc, danificando-os.
  • Espalhar rumores negativos sobre a vítima.
  • Depreciar a vítima sem qualquer motivo.
  • Fazer com que a vítima faça o que ela não quer, ameaçando a vítima para seguir suas ordens.
  • Colocar a vítima em situação problemática com alguém (geralmente, uma autoridade), ou conseguir uma ação disciplinar contra a vítima, por algo que ela não cometeu ou que foi exagerado pelo bully.
  • Fazer comentários depressiativos sobre a família de uma pessoa (particularmente a mãe), sobre o local de moradia de alguém, aparência pessoal, orientação sexual, religião, etnia, nível de renda, nacionalidade ou qualquer outra inferioridade depreendida da qual o bully tenha tomado ciência.
  • Isolamento social da vítima.
  • Usar as tecnologias de informação para praticar o cyberbullying (criar páginas falsas sobre a vítima em sites de relacionamentos, de publicação de fotos etc).
  • Chantagem.
  • Expressões ameaçadoras.
  • Grafitagem depreciativa.
  • Usar de sarcasmo evidadente para se passar por amigo (para alguém de fora) enquanto assegura o controle e a posição em relação a vítima (isto ocorre com frequencia logo após o bully avaliar que a pessoa é uma "vítima perfeita").

Locais de Bullying

O bullying pode acontecer em qualquer contexto no qual seres humanos interajam, tais como escolas, universidades, famílias, entre vizinhos e locais de trabalho.

  • Escolas

Em escolas, o bullying geralmente ocorre em áreas de supervisão adulta mínima ou inexistente. Ele pode acontecer em praticamente qualquer parte, dentro ou fora do prédio da escola. Um caso extremo de bullying no pátio da escola foi de um alunos do oitavo ano chamado Curtys Taylo, numa escola secundária em Iowa, Estados Unidos, que foi vítima de bllying contínuo durante três anos, o que incluia alcunhas jocosas, ser espancado num vestiário, ter a camiseta suja com leite achocolatado e os pertences vandalizados. Tudo isso acabou por levá-lo ao suicídio em 21 de março de 1993. Alguns especialistas em "bullies" denominaram essa dituação como "bullycídio".

  • Local de trabalho

O bullying em locais de trabalho (algumas vezes chamados de "Bullying Adulto") é descrito pelo Congresso Sindical do Reino Unido como: "Um problema sério muito frequentemente as pessoas pensam que seja apenas um problema ocasional entre indivíduos. Mas o bullying é mais do que um ataque ocasional de raiva ou briga. É uma intimidação regular ou persistente que solapa a integridade e confiança da vítima do bully. E é frequentemente aceita ou mesmo encorajada com parte da cultura da organização".

  • Vizinhança

Entre vizinhos, o bullying normalmente toma a forma de intimidação por comportamento inconveniente, tais como o barulho excessivo para perturbar o sono e os padrões de vida normais ou fazer queixa às autoridades (tais como a polícia) por incidentes menores ou forjados. O propósito desta forma de comportamento é fazer com que a vítima fique tão desconfortável que acabe por se mudar da propriedade. Nem todo comportamento inconveniente pode ser caracterizado como bullying: a falta de sensibilidade pode ser uma explicação.

  • Política

O bulllying entre países ocorre quando um país decide impor a sua vontade a outro. Isto é feito normalmente com o uso da força militar, a ameaça de que ajuda e doações não serão entregues ao país menor ou não permitir que o país menor se associe a uma organização de comércio.

Alcunhas ou apelidos (dar nomes).

Normalmente, uma alcunha (apelido) é dada a alguém por um amigo, devido a uma característica única dele. Em alguns casos, a concessão é feita por uma característica que a vítima não quer que seja chamada, tal como uma verruga ou forma obscura em alguma parte do corpo. Em casos extremos, professores podem ajudar a popularizá-la, mas isto é geralmente percebido como inofensivo ou o golpe é sutil demais para ser reconhecido. Há uma discussão sobre se é pior que a vítima reconheça ou não o nome pela qual é chamada. Todavia, uma alcunha pode por vezes trnar-se tão embaraçosa que a vítima terá que se mudar (da escola, da residência ou de ambos).

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Crianças vítimas de bullying


A história de Maria:


Maria, uma menina de 10 anos alegre, mas tímida, que adorava a escola. Era o segundo ano em que lá estava, tinha boas notas e destacava-se pelas redacções que fazia. A certa altura começou a chegar a casa tensa. Explodia à mais simples contrariedade e deixou de falar com a mesma espontaneidade do colégio, das amigas e dos demais colegas. Preocupada, a mãe percebeu que algo se passava, mas não conseguiu que Maria contasse logo à primeira.

Foi num dia de grande frustração que Maria desabafou. Contou que uma das suas colegas, curiosamente aquela com quem mais estava desde que entrou para aquela escola, começou a excluí-la. Fazia-o dizendo calúnias sobre ela às outras, levando a que nenhuma a convidasse para as suas festas ou mesmo para irem umas à casa das outras como às vezes faziam. Em princípio Maria não ligava, mas quando começou a ver-se isolada passou a reagir. A sua reacção só reforçava a sua imagem negativa perante as demais. Maria começou, então, pouco e pouco, a auto-isolar-se. A tristeza e a revolta eram demasiadas



Sinais de alerta
Há meninas e adolescentes que passam anos sem que ninguém perceba que estão a ser vítimas de humilhações e intimidações. Esteja atenta a estes sinais:
• Tristeza
• Abatimento
• Isolamento
• Menos telefonemas e mensagens escritas
• Contactos sociais Reduzidos

Mas o que é que leva rapazes e raparigas a agirem de forma diferente? “Os rapazes dão valor à liderança, à força física, ao domínio sobre os colegas, às competências desportivas”, comenta a psicóloga. E continua: “O género feminino, por outro lado, valoriza a partilha, a intimidade, o estabelecimento de redes de amizade. Elas têm o que consideram amigas íntimas, enquanto eles têm uma rede de conta-ctos sociais muito alargada.”